Pesados e frotas

Tacógrafo e tempos de condução: o que a empresa arrisca

Os limites de condução e repouso em números, o que a fiscalização vê no tacógrafo, e porque é que a coima não fica só pelo motorista — a empresa responde também.

Numa fiscalização a um pesado, o que é lido não é o dia: é o dia em curso e os 56 dias anteriores — eram 28 até ao final de 2024. E o que sai de lá costuma ser mais do que uma infração.

Os limites, em números

RegraLimite
Condução seguida4h30, seguidas de pausa de 45 minutos
Condução diária9 horas (10 horas, duas vezes por semana)
Condução semanal56 horas
Condução em duas semanas90 horas
Repouso diário11 horas (reduzido a 9, três vezes por semana)
Repouso semanal45 horas

A pausa de 45 minutos pode ser partida em duas — 15 minutos primeiro, 30 minutos depois, e por esta ordem.

A empresa responde

Este é o ponto que apanha as empresas desprevenidas: a lei não sanciona apenas quem ia ao volante. A empresa transportadora responde pelas infrações aos tempos de condução e repouso dos seus motoristas, e responde também pela organização do trabalho que as tornou inevitáveis.

Não vale como defesa dizer que o motorista decidiu sozinho. Vale — e muito — mostrar que a empresa organizou os serviços de forma a permitir o cumprimento, que deu formação, e que controlou os registos.

O que é preciso ter em ordem

  • Cartão de condutor válido e usado. Conduzir sem cartão, ou com o cartão de outra pessoa, é das infrações mais pesadas.
  • Descarregamento dos dados: do cartão e da unidade-veículo, dentro dos prazos, e guardados durante um ano.
  • Registos manuais dos períodos sem tacógrafo — e a folha de registo preenchida.
  • Tacógrafo inspecionado, com selo válido e sem manipulações.

Peso e carga

O excesso de peso é apurado por pesagem e a coima sobe por escalões de excesso. Aqui há uma verificação que vale sempre a pena: a báscula tem de estar verificada, como qualquer instrumento de medição, e a tara considerada tem de ser a do veículo.

Quando chegam várias ao mesmo tempo

Numa fiscalização a uma frota é normal virem cinco, dez ou vinte autos de uma vez. Tratados um a um, e cada um no seu prazo, multiplicam o trabalho e o risco de um passar despercebido. Tratados em conjunto, há questões comuns — o mesmo aparelho, o mesmo período, a mesma organização de serviço — e é assim que se defendem.

Tem uma notificação em mãos e um prazo a decorrer?

Submeta uma fotografia da notificação. Indico o prazo de que dispõe para responder e se a contestação é viável — a primeira apreciação não tem custo.

Submeter a coima